terça-feira, 18 de julho de 2017

XII Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá 2017


XII Kipupa Malunguinho – Coco na Mata do Catucá 2017

Eis que as matas sagradas da Jurema no Quilombo do Catucá se abrem mais uma vez pra receber seu povo no XII Kipupa Malunguinho – Coco na Mata do Catucá. No dia 24 de Setembro de 2017, de 09 às 18h, em sua décima segunda edição, o maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil, trará uma programação rica e diversa de religiosidade de matriz indígena e africana, com muitas novidades, além de seu caloroso grito por união, luta contra o racismo e intolerância religiosa.

Entre suas atividades, teremos o tradicional ritual coletivo às entidades e divindades das matas, que a cada ano concedem muitas graças na vida de quem com fé vai fazer suas oferendas e firmações. Também teremos a 1° Feira Malunguinho de Produtos Religiosos, o 1° Kipupinha com atividades educacionais, mini parque para as crianças, distribuição do tradicional “Cosme e Damião”, e, shows de alto nível da cultura popular com grandes mestres e mestras do coco e da mazurca.

O Kipupa é o lugar das possibilidades espirituais. Lá, quem busca respostas, pode esbarrar em uma entidade que lhe revele os caminhos da vida... Lá também, remédios podem ser lhe dados para a cura de todos os tipos. Nas matas sagradas, quem desejar sentir a força verdadeira das raízes da Jurema, vá com o coração limpo para receber a graça da força da natureza em sua mais pura essência. Pisar no chão, sentir o cheiro da fumaça da Jurema, beber seu sagrado vinho, sentir os tambores bater e vibrar na pisada do coco com todo povo de terreiro que se faz massiçamente presente, é uma chance de aprender e trocar saberes.  A espiritualidade Encantada, abraça todas e todos que a procuram, e no maior encontro de juremeiros e juremeiras do país, o que mais estará presente é a beleza dessa força milagrosa que transforma vidas.

Venha celebrar conosco a força da memória do Reis Malunguinho na Jurema Sagrada. O Nosso herói negro/índio pernambucano que com sua ciência mestra nos ensina a lutar juntos por união e amor entre os povos. O Kipupa é união, é coletividade e respeito, é resistência do Povo da Jurema. Vem kipupar!

Atrações artísticas:

Shows:

Bacamarteiros Mandacarú
Chinelo de Iaiá
Mazurca da Quixaba
Mestre Zeca do Rolete
Sambada de Jurema com mestres e mestras

Homenageados do Prêmio “Mourão Que Não Bambeia”:

Dona Zefinha de Nanã
Mestra Alaíde de Benedito Fumaça (Caruaru)
Mestre Ciriaco de Alhandra
Mãe Jerusa do Pina
Mãe Alda de Pedro Pires

Informações gerais sobre o evento (leiam tudo para não terem dúvidas):

Evento gratuito. Para quem não vai em caravanas ou de carro, disponibilizamos ônibus que saem às 07h da manhã do Pátio do Carmo em Recife e do Nascedouro de Peixinhos, valos R$: 30 reais, que podem ser adquiridos no Mercado de São José, no box de Eliane. Ou, comprar nas mãos dos coordenadores. Os terreiro e grupos podem organizar suas caravanas individualmente.

ORIENTAÇÃO PARA OS MOTORITAS E AS MOTORISTAS: Quem vai de CARRO, KOMBI, VAN, ETC. A entrada é pela rua Capitão José Primo, tendo como ponto de referência o Terminal dos Kimbeiros, na entrada de Caetés, no centro de Abreu e Lima. Todo o caminho estará sinalizado com banners nos postes e paredes. É só ficar atento, não há como se perder. Do centro de Abreu e Lima ao local do evento, que acontece no Sítio de Juarez, são 11km de estrada de barro, que estará completamente plana, sem buracos e sem riscos.

Os juremeiros e juremeiras devem ir com roupa tradicional da Jurema, homens de calça, camisa e chapéu. As mulheres de saias coloridas, torso ou chapéu. Levem seus cachimbos, maracás, ilús, pandeiros e todos os objetos que acharem necessário. Os ogans podem levar seus ilús. Vamos fazer uma festa bonita com o colorido tradicional da Jurema. Vamos manter vivas nossa raízes, a começar pelas roupas que são nossa identidade.

Quem desejar levar oferendas para Malunguinho fiquem a vontade, desde que sejam oferendas perecíveis, pois cuidamos muito da Mata Sagrada e não admitimos poluição no local. Portanto, confeitos, balas e doces: tirar das embalagens de plástico. Bebidas só o líquido é permitido oferecer (as garrafas recolher), Alguidares serão recolhidos após os atos de oferenda, Cigarro, é proibido deixar as piolas no chão. Animais não serão imolados no local. Favor respeitar todas estas regras do culto.

É PROIBIDO ACENDER VELAS DENTRO DA MATA. No altar de Malunguinho haverá local para firmarem seus pontos de luz.

O Kipupa é um evento cultural e religioso, e por estes motivos, quem não for da religião, favor não tirar camisa no local, não usar drogas, não entrar na mata para outros fins que não sejam louvar Malunguinho e a Jurema Sagrada. Estaremos atentos com vigilantes no local para manter o respeito à tradição da Jurema.

O Kipupa não é um “piquenique na mata”, portanto, não fiquem bêbados e não vão na intenção de arrumar qualquer tipo de problema, briga etc. Malunguinho estará recebendo suas oferendas juntos com as demais entidades e divindades. Cuidado...

Os fotógrafos profissionais que forem ao evento, assim como os que irão filmar, avisamos que todo material feito/captado no local deve ser repassado posteriormente (semana seguinte) em alta qualidade ao Quilombo Cultural Malunguinho, nas mãos de seus coordenadores. Não permitiremos fotografar sem esta condição.

No local haverá comida e bebida a vontade para vender. A comunidade da Mata do Engenho Pitanga II é nossa parceira e colocam bastante comida variada à venda. Portanto, não se preocupar com comida. Quem quiser levar sua comida fique a vontade.

HAVERÁ AMBULÂNCIA (UTI MÓVEL) NO LOCAL E SEGURANÇA.

HAVERÃO BANHEIROS QUÍMICOS PARA TODOS E TODAS

As pessoas podem levar suas faixas e homenagens à Jurema e ao encontro sem nenhuma restrição.

É PROIBIDO USAR DORGAS NO EVENTO!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!!
Trunfa Riá!!!

Contatos:

81. 98887-1496 (Oi) / 99525-7119 (Tim) / 99428-7898 (Vivo) / 99955-9951 (Tim)


Realização


Produção e Coordenação

Alexandre L’Omi L’Odò – alexandrelomilodo@gmail.com
Ricardo Nunes – josericardo.nunes@hotmail.com
Equipe do terreiro de Jurema - Casa das Matas do Reis Malunguinho

Alexandre L’Omi L’Odò
Coordenação Geral Quilombo Cultural Malunguinho

terça-feira, 11 de julho de 2017

Defesa de mestrado sobre a Jurema Sagrada e seu cosmo acontece dia 11 de Agosto de 2017 na UNICAP


Defesa de mestrado sobre a Jurema Sagrada e seu cosmologia acontece dia 11 de Agosto de 2017 na UNICAP 

Convite para defesa de mestrado - Juremologia

Enfim chegou o momento da defesa de minha carinhosa dissertação de mestrado. Estamos a um mês da data que me levará ao título de mestre, ou não (rsrsrs). Será que sou o primeiro juremeiro a defender uma dissertação sobre a religião? Gostaria de saber...

Estou feliz com o trabalho. Escrevi muito, trabalhei muito, me dediquei até não poder mais. Quase me custou a alma, mas entreguei aos estudos e à Jurema tudo que pude para poder escrever cientificamente o que era um sonho há anos.

A dissertação tem quatro capítulos e trata basicamente de três pontos principais:

1 – Sistematização do debate bibliográfico e histórico sobre a Jurema;

2 – Etnografia da Jurema de Recife e Região Metropolitana, na busca de identificar e sistematizar os pontos que formam os elementos cosmológicos principais e estruturais da religião, e;

3 – A sistematização do debate sobre a juremologia e estudos acadêmicos teológicos afro indígenas, política pública e educação do povo de Terreiro em Pernambuco.

Conto com a presença dos amigos e amigas que me ajudaram. Àqueles e àquelas que me cobriram de luz nos momentos que quase entrava no escuro total. Aos que me respeitaram e me deram força de verdade, e conto com todas e todos que me desejaram o bem e o mal, afinal um não vive sem o outro, e a Jurema não é maniqueísta. ;)

 Salve a fumaça! Sobô Nirê Mafá!

Serviço:

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO
PRÓ-REITORIA ACADÊMICA
COORDENAÇÃO DE PESQUISA
MESTRADO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO

Mestrando: Alexandre L’Omi L’Odò

Tema: JUREMOLOGIA:
Uma busca etnográfica para sistematização de princípios da cosmovisão da Jurema Sagrada

Orientador: Sergio Douets
Co-orientadora: Zuleica Dantas

Banca:

Roberta Bivar Carneiro Campos – PPGA – UFPE
Gilbraz Aragão – PPGCR – UNICAP

Data: 11/08/2017

14h

Auditório do bloco G4 – 3° andar – UNICAP

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 6 de junho de 2017

Escola estadual destaca o bioma do Nordeste na Semana do Meio Ambeinte

Escola de Referência em Ensino Médio Professor Cândido Duarte celebra Semana do Meio Ambiente. Foto de Ashlley Melo/JC Imagem.

Escola estadual destaca o bioma do Nordeste na Semana do Meio Ambiente

Cidades/Ciência/M.Ambiente
Publicado em 05/06/2017

Evento pedagógico sensibiliza estudantes para os problemas que afetam os biomas nordestinos e consequentemente comprometem também os povos tradicionais de dependem destes ambientes.

Os povos tradicionais que dependem dos biomas da região Nordeste preservados para manterem suas tradições culturais e religiosas são o destaque da 1° Semana do Meio Ambiente da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Professor Cândido Duarte, da rede estadual de ensino, situada em Apipucos, na Zona Norte do Recife. O evento, que mesclará aulas no Jardim Botânico do Recife, na Oficina de Francisco Brennand e no Engenho Massangana (além de palestras na escola com especialistas em clima, educação ambiental e religiões afro-indígenas) começa nesta segunda-feira (5).

"O objetivo deste evento pedagógico é sensibilizar os estudantes para os problemas que afetam os biomas nordestinos e consequentemente comprometem também os povos tradicionais que dependem destes ambientes para manterem suas tradições culturais e religiosas vivas", fala o coordenador da atividade, o professor de Geografia e de Direitos Humanos da unidade escolar, Rodrigo Correia. A programação vai até a próxima sexta-feira (9).

O professor diz que os alunos cobravam uma programação maior do que as edições do evento em 2015 e em 2016, ano em que a unidade se destacou por plantar o primeiro pé de Jurema, árvore relacionada com a religião afroindígena do Nordeste, numa escola pública brasileira. A muda foi doada e plantada pelo juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò, do Quilombo Cultural Malunguinho, que voltará ao local na sexta-feira (9), para participar da celebração em homenagem ao 1° ano deste plantio.

Antes, no mesmo dia, no período da manhã, haverá uma palestra sobre religiões afro-indígenas brasileiras e meio ambiente com o babalorixá Gilmar Camará, do Movimento dos Povos Tradicionais de Camaragibe. A partir das 15h20, o momento cultural encerrará a semana ambiental com a apresentação do Coco Raízes do Capibaribe do bairro da Várzea.

Meteorologia

O ciclo de palestras ainda contará com a presença da coordenadora do antigo Laboratório de meteorologia de Pernambuco (Lemepe), Francis Lacerda, atual responsável pelo segmento de mudanças climáticas do Instituto Agronômico do Estado (IPA), tema que será exposto por ela na quinta-feira (8). Um dia antes, o professor e doutorando em Educação Ambiental, debaterá sobre a perspectiva onde não separa o homem e a natureza para tratar das questões ambientais e sociais. Vários graduandos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) também debaterão com temas relacionados ao objetivo da Semana do Meio Ambiente da escola.   


#JuremanaEscola 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 15 de abril de 2017

Malunguinho, herói anônimo dos quilombos - Primeira matéria de jornal sobre o Reis do Catucá

Digitalização da matéria - Jornal do Commercio, 21 de Maio de 2000, Cidades, p. 8.

Cumprindo a missão do Quilombo Cultural Malunguinho de informar, formar e empoderar o Povo da Jurema com informações de qualidade, compartilho este achado histórico importante, que transcrevi de meus arquivos pessoais. Esta foi a primeira matéria em um jornal que tratou do tema da pesquisa do professor PhD em História Marcus Carvalho. No texto, poderemos ter acesso a importantes informações que nos ajudarão a entender mais a história e o contexto cultural/religioso de Malunguinho.  Aproveitem, compartilhem. Este texto é fantástico. Já avançamos muito desde estes tempos na compreensão da figura histórica e divina Malunguinho, mas esta matéria é incrível. Sobô Nirê Mafá #ReisMalunguinho!

 Malunguinho, herói anônimo dos quilombos

HISTÓRIA Há poucos registros sobre o mais procurado líder dos escravos no Estado no Século 19. Ele comandava refugiados do Catucá, na Mata Norte. 

Jornal do Commercio, 21 de Maio de 2000, Cidades, p. 8.
Cleide Alves

Líder quilombola mais temido em Pernambuco nas primeiras décadas do século 19, o negro Malunguinho é dono de uma história singular, porém praticamente anônima. Basta dizer que o Conselho de Governo, principal órgão consultivo da província e que deu origem a Assembléia Legislativa, gastou uma reunião inteira discutindo um possível ataque dos escravos refugiados na Floresta do Catucá (Mata Norte, entre Recife e Goiana) ao Recife. A suposta invasão aconteceria em 1827, comandada por Malunguinho.

Na ata da reunião (29/01/1927), o governo provincial oferece um prêmio pela prisão dos três principais chefes dos quilombos do Catucá: 100 mil réis pela cabeça de Malunguinho, 50 mil réis por Valentim e a mesma quantia para Manoel Gabão. “Cem mil réis, na época, foi a maior quantia já oferecida pela captura de alguém vivo ou morto em Pernambuco”, observa o professor do Programa de Pós Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Marcus Carvalho.

Além da recompensa, foi determinado que todos os negros apanhados nos quilombos fossem vendidos ou mandados por seus donos para fora da província, “para o Sul, além Rio São Francisco, e para o Norte, além do Parnaíba”. A ata da reunião está no acervo do Arquivo Público Estadual.

Segundo Marcus Carvalhos, a data do início da ocupação da Floresta do Catucá não é precisa, mas os movimentos políticos e sociais exerceram influência. “Muitos escravos devem ter aproveitado a Insurreição Pernambucana (1817) e fugiram para as matas, pois vários donos de engenhos localizados nas proximidades do Catucá faziam parte da revolta”, explica. Ele informa que os quilombos do Catucá (ou do Malunguinho) foram atacados sistematicamente pela polícia.

Há registro de diligências policiais em 1821 e 1824 e o líder mais citado em todas é Malunguinho. Numa das tentativas de acabar com os quilombos foram presos 63 negros. As diligências menores eram feitas com cerca de 60 soldados e jagunços, enquanto que as maiores chegavam a 700 homens. “Em 1824, o governo chegou a usar as tropas do Exército que tinham vindo do Rio de Janeiro para combater os rebeldes da Revolta de 1817”.

O professor acrescenta que os quilombolas mantinham contato com outros negros (familiares e amigos) que viviam nos engenhos e nas cidades. Além de ajudar os escravos fugitivos com gêneros alimentícios, essas pessoas informavam aos quilombolas sobre as diligências. “Era comum a polícia chegar nas matas e encontrar casas, mocambos e lavouras recém abandonadas, mas nenhum negro”.

O coração dos quilombos do Catucá ficava numa região conhecida como Cova de Onça, entre Olinda e Igarassu, na antiga margem do Rio Paratibe. Os escravos fugiam do Recife e dos Engenhos da Mata Norte, formando pequnas comunidades no Catucá.

Malunguinho, de acordo com Marcus Carvalho, é o aportuguesamento da palavra Malungo, de origem banto e que significa “canoa grande”. Malungo é traduzido também como “companheiro” e serve para identificar as pessoas que vieram no mesmo navio negreiro. “É um laço muito forte”.

Nos documentos da polícia não há registro da morte ou captura de Malunguinho. O quilombo foi dizimado por volta de 1830. Um dos fatores que mais contribuíram foi a criação da Colônia Amélia, formada por soldados de origem germânica que haviam lutado na Guerra da Cisplatina. Como o governo queria acabar com os quilombos, ofereceu terras aos soldados na Floresta do Catucá. “Os soldados não sabiam que a área já era ocupada pelos negros. No confronto, a família alemã Cristiane foi massacrada”.

Líder negro do século 19 é cultuado como divindade

No culto da Jurema, Malunguinho é uma entidade de grande poder, que se manifesta de três formas bastante distintas: Exu, Caboclo e Mestre. O primeiro representa o mensageiro, fazendo o elo de ligação da linha da Jurema com as pessoas. O segundo é a figura do guia, o principal protetor dos iniciados no culto. O terceiro representa alguém que teve existência real na terra.

A Jurema, segundo o pesquisador Hildo Leal da Rosa, é um culto religioso de origem Indígena (existe no Brasil desde o século 16), mas que também carrega elementos afros (negros) e cristãos (brancos). “Malunguinho é uma entidade que fala pouco e não demora muito quando incorpora. Suas palavras são meio truncadas como uma criança falando, e a língua mistura português com outro idioma”, diz Hildo Leal.

Durante o culto, as mensagens trazidas pela entidade são repassadas a um médium. “Quando a pessoa está com um problema sério e precisa de uma proteção grande, uma das primeiras entidades chamadas para ajudar é Malunguinho”, diz o pesquisador. Trazido como um Exu muito forte, Malunguinho também é invocado nas cerimônias para levar embora os outros exus.

Antes de começar as cerimônias, o grupo sempre pede proteção a Malunguinho. “Isso é uma história muito bonita. O povo pega um herói popular que existiu de verdade, guerreiro, líder dos negros e o coloca no olimpo das divindades”, acrescenta o historiador Marcus Carvalho. Várias cantigas usadas no culto da Jurema citam o nome de Malunguinho.

“Subir ao panteão das divindades é talvez a maior homenagem que um povo pode prestar aos seus heróis”, destaca Marcus Carvalho na publicação O Quilombo de Malunguinho, o rei das matas de Pernambuco (Liberdade por um fio/História dos quilombos no Brasil, editado pela Companhia das Letras). Para Marcus Carvalho, a unidade entre a divindade e o guerreiro da floresta do Catucá é evidenciada em uma cantiga que cita um antigo aparato militar usados pelos quilombolas, os estrepes.

Marcus Carvalho explica que estrepes eram paus pontudos fincados no chão, as armadilhas ou expostos, para impedir os ataques dos soldados aos quilombos. “Muitos soldados caíam nas armadilhas ao perseguir os negros. Vem daí a expressão ‘se estrepar’”, observa. “O Malunguinho da Jurema, que tem o poder de tirar os estrepes do caminho, é, portanto, a recriação simbólica do próprio Malunguinho do Catucá, o verdadeiro rei das matas de Pernambuco”, escreve o historiador na mesma publicação.

Cantigas da Jurema que citam Malunguinho

“Malunguinho portal de ouro
Malunguinho portal de espinho cerca, cerca
Malunguinho tira os estrepes do caminho”.

“Na mata só tem um
é o rei Malunguinho
o rei dos espinhos
na mata é Malunguinho”.

“Firmei meu ponto sim
no meio da mata sim
salve a coroa de Rei Malunguinho
das matas é Rei Malunguinho
das matas é rei
Rei das matas é Malunguinho
Mas eu sou preto e gosto dos pretinhos
Salve a coroa do Rei Malunguinho”.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Entrevista sobre Teologia Afro com o Teólogo Jayro Pereira de Jesus



Entrevista sobre Teologia Afro com o Teólogo Jayro Pereira de Jesus

O Povo de Terreiro precisa ouvir essa entrevista linda do omo Ogiyàn, teólogo afro e professor Jayro De Jesus. Ele é um dos maiores intelectuais negros de nossa religião e precisa ser ouvido e compreendido. É nosso dever publicar conteúdos de grande relevância para ampliar a percepção de mundo e a criticidade afro indígena de nosso povo. Compartilhem, este vídeo tem axé!

Abaixo, texto original desta postagem no canal do YouTube do Cultne. O vídeo encontra-se neste link: https://www.youtube.com/watch?v=TUUOZT-ffEA&t=708s e também no link de meu canal do Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=7RsBlCoKKa8 

Programa exibido em 01 de abril de 2017 na TV Alerj tendo como convidado o teólogo e professor Jayro Pereira de Jesus..
CULTNE NA TV é um programa para TV que utiliza a riqueza do acervo Cultne além de novos conteúdos num mix de leveza e informação sobre cultura negra. O programa Cultne na TV está no ar na TV ALERJ, uma TV a cabo pertencente ao poder legislativo do Estado do Rio de Janeiro.

Exibição semanal o Cultne na TV traz para a televisão uma importante contribuição para a diversidade da imagem veiculada na mídia brasileira. O programa vai dar aos telespectadores da TV Alerj a oportunidade de se informar, se emocionar, desconstruir preconceitos, a partir de fatos da história contemporânea do movimento negro no Brasil.

O programa é uma parceria da TV Alerj, com o Acervo Digital de Cultura Negra, tendo sido contemplado com os recursos do Edital Viva o Cinema da Rio Filme/ Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro em 2015..

CULTNE, site que reúne um grande conteúdo audiovisual de importantes momentos da história recente dos afros brasileiros. São momentos que retratam as manifestações culturais, artísticas e esportivas, um material que contribui para o ineditismo do programa.
Divididos em dois blocos e com duração de vinte e oito minutos, o programa tem o formato de entrevista em estúdio. O apresentador Ricardo Brasil, e o convidado, vão ficar cara a cara, num papo envolvente. O apresentador conduz a entrevista tendo como fio condutor, a exibição de vídeos em um tablet. São vídeos onde o convidado aparece atuando em algum episódio histórico, ou de fatos que tenham relevância com história de vida do entrevistado. A ideia é contextualizar a história e aprender com ela.

O programa é direcionado a todo e qualquer público, independente de classe social, raça, idade, religião e sexo. É uma atração que vai dar a oportunidade a todos e a todas, de conhecer o passado para repensar o presente.

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Obrigado a JF Neto por ter me ajudado a subir este vídeo.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

50 anos de axé de Mãe Lu Omitòógún - Iyemojá Ògúnté Mi, firme como uma montanha!


50 anos de axé
Àjòdún Àádota

Iyemojá Ògúnté Mi, firme como uma montanha!

Foi em um Janeiro de 1966 que uma jovem negra de apenas 16 anos, filha de Iyemojá Ògúnté, se iniciou na tradição nagô de seus avós e pais em rituais de muito segredo e discrição. Lá no passado, em um período de grande perseguição às religiões afro que a doce adolescente nasceu para o Orixá.

Teve em sua cabeça as fortes mãos da Sra. Maria Vicentina da Costa, a Tia Vicência - Ifádayrò  (de Iyemojá Sesú), sua iyalorixá, filha adotiva de Ignês Joaquina da Costa – Ifatinuké, e teve como pai (no ritual) Olofin Oduduwá, “padrinho” do Sítio de Pai Adão.

Participaram deste ritual, seu pai carnal Malaquias Felipe da Costa – Ojé Bií, e como “padrinhos” Paulo Braz Felipe da Costa – Ifátòógún (seu irmão carnal) e o Sr. Toinho do Monte. Sua “madrinha” foi Tia Mãezinha – Iyamidè, filha carnal de Pai Adão, que dela cuidou dentro do Peji do Sítio junto com Tia Vicência nos dias de seu resguardo religioso.

Sua trajetória, iniciou mesmo na Jurema Sagrada, quando nos antigos tempos do Nagô, era necessário primeiro confortar os caboclos e caboclas para se ter a permissão para “fazer o santo”. Consagrada para o Caboclo Viturino e o mestre Antônio, tinha em sua mãe carnal a maior escola possível nesta “ciência mestra”, já que a Sra. Leônidas Joaquina da Costa - Omisèun era uma grande juremeira, herdeira da tradição indígena de seus pais e avós.

Ela ainda herdou a tradição da fé em Nossa Senhora da Conceição (sincretizada com Iyemojá nos cultos de matriz africana de Pernambuco), santa católica que sempre foi adorada por Pai Adão, pelo seu Pai e hoje por ela com profundo amor, devoção e fervor. Aprendeu a rezar o mês mariano e zela pela imagem de Maria, que tem mais de 180 anos de existência, pois pertenceu a Pai Adão no passado.

É isso mesmo, a menina herdou a tradição da tríplice pertença religiosa. A Jurema, a Tradição Nagô e o Catolicismo Popular vivem harmonicamente em seus caminhos do axé. Seu cosmo é regido por este universo xenofílico.

A menina cresceu e se demonstrou uma grande iyalorixá. Com sorriso largo, carisma sem igual, suavidade nas palavras, sabedoria nos conselhos dados, humildade religiosa e devoção ímpar, ela trouxe para junto de si centenas de filhos e filhas que a amam e comungam de sua trajetória de vida com felicidade. Ela tem mão odara, e quem se banha em suas águas, conhece o bem e a beleza da vida afroreligiosa.

Hoje, a Sra. Maria Lucia Felipe da Costa, Mãe Lu Omitòógún, de 65 anos de idade, sacerdotisa mor do Ilé Iyemojá Ògúnté, é na linhagem hierárquica nagô a iniciada à Ògúnté mais antiga viva do Sítio de Pai Adão. É professora formada em Letras/Inglês e pós-graduada em história das artes, mãe de uma única filha carnal chamada Bárbara (atual mãe pequena do terreiro) e professora de uma escola de referência no Recife.

Ela é oceânica! Mulher de grande respeito. Cuidadora e criadeira de muitos filhos adotivos. Arrimo de família. Guerreira e sonhadora. Consciente de seu papel como mulher negra, milita na causa ainti-racismo. Ensina que devemos lutar por nossos direitos e vai à luta com seus filhos, pois é uma mãe sem igual. Ela compra as brigas dos filhos sim, encara a guerra e vence as batalhas que a vida nos traz. Ela segura em nossas mãos. Ela nos acaricia e acolhe. Na beira de sua cama choramos nossas mágoas. Ela também chora com a gente. Ela nos abraça e nos faz ter a certeza que sempre poderemos contar com sua força maternal de grande sacerdotisa.

Mãe Lu é nossa Iyemojá, a grande mãe. Nela tudo é seio farto. Nela mora o sossego do mar calmo em dias de paz.

“Iyemojá a to f’ara ti bi oké – Firme como uma montanha”!
Tití àiyé!

No dia 26 de Novembro de 2016, celebraremos em nosso terreiro seus 50 anos de iniciação religiosa com o Presente (Panela) de Iyemojá e a saída de dois iyawò. Neste ato, vamos vibrar, louvar, celebrar o dom de termos esta grande mulher como nossa mãe e também de termos Ògúnté Mi como nossa regente soberana nos caminhos de odú.

Convidamos todas e todos. Axé!

Alexandre L’Omi L’Odò.
Omo Orixá - Historiador e Mestrando em Ciências da Religião.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O Povo de Axé quer o Babá Paulo Braz Ifátòógún como Patrimônio Vivo de Pernambuco

Babá Paulo Braz. Foto de Marcelo Curia. MDS. 2010.

O povo de Axé quer o Babá Paulo Braz Ifátóògún como Patrimônio Vivo de Pernambuco


Nosso Babá Alapini Paulo Braz Ifátòógún está concorrendo ao Premio do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco 2016. Ele é uma proposta muito relevante para que este edital reconheça pela primeira vez um Mestre de Matriz Africana, um Mestre dos saberes de terreiro, um Mestre da cultura yorùbá no Brasil.

Vamos vibrar positivamente e compartilhar muito as informações do nosso sacerdote para que o Conselho Estadual de Políticas Culturais de Pernambuco enxerguem ele com bons olhos e faça essa justiça história para o povo de terreiro.

Salve Babá. O senhor é um diamante da nossa cultura e religião. Axé!

#PaiPauloBrazNossoPatrimônioVivodePernambuco!

Foto de Marcelo Curia.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com